Panax ginseng
Panax ginseng, o ginseng coreano, é uma raiz usada há séculos na medicina tradicional chinesa e hoje estudada principalmente por seus efeitos sobre fadiga, energia e função cognitiva. É diferente do ginseng americano (Panax quinquefolius) e do chamado ginseng siberiano (Eleutherococcus senticosus), que nem pertence ao mesmo gênero botânico. A evidência é mais consistente para fadiga, moderada para cognição, e a SetYou trabalha com a espécie Panax ginseng, na dose de 200 mg.
Suplemento não trata, não cura e não previne doença. O que segue é o que a evidência disponível mostra, com as devidas ressalvas.
Revisão técnica: Danielle Lima, Farmacêutica Clínica (CRF-102017). Atualizado em 15 de julho de 2026.
Panax ginseng
O Ginseng Coreano, de nome científico Panax ginseng, é uma planta medicinal originária da região da China e Coréia do Norte, utilizada há milhares de anos pelos povos orientais e é considerada uma das plantas mais conhecidas e utilizadas na Medicina Tradicional Chinesa em diversas situações como inquietação e ansiedade, esquecimentos frequentes, insônia, fadiga muscular, baixa imunidade, entre outras. Por esse motivo, também é chamado de “elixir da vida longa”.
Os efeitos bioativos do Ginseng Coreano são atribuídos às dezenas de compostos presentes em sua raiz, tais como: ginosídeos (um tipo de saponinas), polissacarídeos, flavonóides, vitaminas do complexo B, aminoácidos (como tirosina, lisina, histidina, arginina), minerais, etc. No entanto, apesar da presença de grande diversidade de compostos, os ginosídeos se encontram em quantidades mais elevadas e são os principais responsáveis pelos efeitos atribuídos ao Ginseng Coreano.
É considerada uma planta adaptógena, ou seja, auxilia o organismo a se adaptar a fatores externos/ambientais adversos e minimizar eventuais danos que podem ser provocados por estes, portanto pode apresentar efeito estimulante, fornecendo mais energia e vitalidade ao corpo, ou efeito relaxante do Sistema Nervoso Central, contribuindo para a melhora da memória e do foco.
Assim, o Ginseng Coreano pode ser utilizado com o intuito de recuperar o equilíbrio do metabolismo, auxiliando na melhora da imunidade, e do Sistema Nervoso Central, ajudando também na capacidade de aprendizado, memorização e foco, assim como na redução dos níveis de estresse e os sintomas associados.
Os mecanismos de ação do Ginseng Coreano são diversos e estão sendo constantemente e amplamente estudados, uma vez que seus diferentes compostos podem apresentar efeitos em diferentes tipos de células e tecidos, de forma simultânea e complementar. É possível destacar alguns deles, tais como:
- Ação anti-stress: A ação sobre o eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal), favorece a adaptação e rápida resposta do organismo ao stress e/ou ansiedade e contribuindo para preservar o equilíbrio metabólico e reduzir possíveis danos causados pela exposição a agentes estressores, sem a presença de efeitos adversos.
- Ação cognitiva: Auxilia na regulação da transmissão do impulso nervoso e no equilíbrio da disponibilidade dos neurotransmissores, buscando minimizar qualquer dano celular. É capaz de regular a liberação e recaptação da acetilcolina na fenda sináptica, permitindo melhorar a função colinérgica. Além disso, compete com receptores de outros neurotransmissores (como o GABA, serotonina, entre outros), inibindo sua recaptação. Esses mecanismos associados levam ao incremento da capacidade cognitiva, da concentração, da memória e de funções sensoriais.
- Ação imunomoduladora: Possui atividade anti-inflamatória relacionada ao estímulo da produção, da ativação e da ação de células de defesa (anticorpos, linfócitos, macrófagos, células NK - natural killer, citocinas) e à supressão da resposta inflamatória, auxiliando no equilíbrio da resposta aos antígenos e no fortalecimento da imunidade.
- Ação antioxidante: Efeito protetor contra os níveis e a ação dos radicais livres no organismo, por meio da inibição de vias metabólicas relacionadas ao estresse oxidativo.
Estudos sobre Ginseng Coreano
Diversos estudos têm demonstrado os benefícios do uso do Ginseng para a saúde do organismo como na redução do estresse, na melhora da concentração, no fortalecimento da imunidade, entre outros. Abaixo são destacados alguns deles:
Função cognitiva
Em estudo de 2020, randomizado, duplo cego, placebo controlado, com o objetivo de identificar a eficácia do Ginseng coreano na melhora da memória e atenção e redução do estresse. 50 indivíduos saudáveis e com relato de cansaço foram alocados para receber o Ginseng Coreano em 2 doses diferentes ou o placebo, durante 12 dias. Posteriormente, realizado testes de funções cognitivas, memória e score de stress. Ao final do estudo, observou-se que o grupo suplementado apresentou resultados significativamente superiores em relação à atenção, memória e escores de estresse em comparação ao grupo placebo.
Um estudo publicado em 2019, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, teve como objetivo investigar o efeito da suplementação de Panax Ginseng na melhora da cognição. Um total de 90 voluntários com comprometimento cognitivo leve foram alocados aleatoriamente no grupo “ Ginseng” , para receber 3g por dia do suplemento, ou no grupo “Placebo”, por 6 meses. Ao final deste período foi possível observar melhora na capacidade cognitiva por testes e questionários de avaliação neuropsicológica, demonstrando que o Ginseng Coreano é capaz de exercer efeito benéfico na função cognitiva.
Em estudo duplo-cego e placebo controlado de 2006, 27 jovens saudáveis completaram em 10 minutos um teste cognitivo. Em seguida, receberam cápsula de ginseng ou placebo. Após 30 minutos, tomaram bebida contendo glicose ou placebo. Por fim, após 60 min desde a cápsula de Ginseng ou placebo, os participantes realizaram teste cognitivo mais uma vez. Os resultados mostraram que o Panax GInseng além de ter um efeito glicoregulador tem efeito no aumento cognitivo.
Energia
Um estudo randomizado, duplo cego e placebo controlado de 2013 investigou os efeitos do Panax Ginseng em 90 pessoas com fadiga crônica idiopática. Ginseng ou placebo foi administrado para seus respectivos grupos por 4 semanas, e posteriormente os níveis de fadiga foram monitorados. Os pacientes tratados com Ginseng tiveram os níveis de fadiga significativamente menores comparados a placebo. Esse resultado foi considerado evidência do efeito antifadiga do Panax Ginseng em indivíduos com fadiga crônica.
Qualidade de vida
Um estudo randomizado e duplo-cego de 2002 procurou avaliar a qualidade de vida geral de seus participantes usando um questionário de status geral de saúde.
Para um grupo de 15 pessoas foi administrado 200mg de Panax Ginseng por dia, e para outro grupo também de 15 pessoas foi administrado placebo. Em ambos os grupos por 8 semanas. O questionário citado foi usado antes do estudo, após 4 semanas, e após 8 semanas.
Ao se analisar os resultados, antes do estudo não havia diferença entre os 2 grupos. Após 4 semanas, o grupo que usou Ginseng apresentou pontuações maiores para sociabilidade, saúde mental e componentes mentais como um todo. Após 8 semanas essas diferenças diminuíram.
A conclusão dos pesquisadores foi de que Ginseng melhora aspectos mentais e sociais, mas que com o uso contínuo após 8 semanas essas diferenças diminuem um pouco.
Referências:
Pierre-Antoine Mariage, Areg Hovhannisyan, Alexander G Panossian, 2020
Key-Chung Park, Hui Jin, Renhua Zheng, Sehyun Kim, Seung-Eun Lee, Bo-Hyung Kim, Sung-Vin Yim, 2019
Jung-Ick Byun, Yu Yong Shin, Sung-Eun Chung, and Won Chul Shin, 2006
Hyeong-Geug Kim, Jung-Hyo Cho, Sa-Ra Yoo, Jin-Seok Lee, Jong-Min Han, Nam-Hun Lee, Yo-Chan Ahn, Chang-Gue Son, 2013
5 Effects of Panax ginseng on quality of life
Jennifer M Ellis, Prabashni Reddy, 2002
Contraindicações e interações
Varfarina e outros anticoagulantes. Um ensaio clínico randomizado mostrou que o ginseng americano reduziu o efeito da varfarina em voluntários saudáveis, diminuindo o INR, a medida usada para acompanhar o efeito do anticoagulante [F]. É uma das interações mais documentadas da fitoterapia. Quem usa varfarina não deve somar ginseng sem acompanhamento médico, pelo risco de o anticoagulante perder eficácia.
Diabetes e remédios para glicose. Uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos mostrou que o ginseng reduz a glicemia de jejum [E]. É um efeito real, e é por isso que ele pode somar com insulina e outros antidiabéticos, aumentando o risco de hipoglicemia. Quem usa remédio para diabetes precisa de acompanhamento antes de somar ginseng ao tratamento.
Estimulantes e cafeína. O ginseng tem efeito estimulante sobre o sistema nervoso central. Revisões sobre suas interações apontam que somar ginseng a cafeína, pré-treino ou outros estimulantes pode intensificar efeitos como insônia, taquicardia e nervosismo [G].
IMAO (inibidores da monoaminoxidase, como a fenelzina). Há relato clínico documentado de um paciente em uso de fenelzina que apresentou insônia, dor de cabeça e tremor após iniciar ginseng [H], e revisões sobre interações do ginseng com medicamentos listam essa classe entre as de maior atenção [G]. A combinação não é recomendada sem orientação médica.
Hipertensão não controlada. Uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos não encontrou elevação relevante da pressão arterial com o uso de ginseng em geral [I], mas pelo efeito estimulante, quem tem pressão alta não controlada deve usar apenas com acompanhamento médico.
Gestação e amamentação. Não há dados de segurança suficientes sobre ginseng na gravidez e na lactação. Revisões sobre o uso de plantas medicinais nesses períodos recomendam cautela com esse tipo de suplementação sem orientação profissional [J].
Câncer sensível a hormônio. Os ginsenosídeos, compostos ativos do ginseng, têm atividade semelhante à do estrogênio demonstrada em laboratório [K]. Quem tem histórico de câncer de mama ou outro tumor sensível a hormônio deve conversar com o oncologista antes de usar.
Cirurgia programada. Pelo efeito sobre a coagulação, referências médicas sobre uso de fitoterápicos no período perioperatório recomendam suspender o ginseng cerca de duas a três semanas antes de qualquer cirurgia [L].
Na SetYou essa checagem é automática: o motor avalia condições de saúde declaradas, medicamentos em uso, gestação e alergias antes de qualquer recomendação. É por isso que conseguimos dizer não quando ginseng não é indicado.
Qual ginseng é esse
Existem pelo menos três plantas vendidas como "ginseng", e elas não são a mesma coisa, o que confunde a maioria das pessoas.
Panax ginseng, o ginseng coreano ou asiático, é o estudado nesta página e o presente no Panax Ginseng 200mg da SetYou. É a espécie com mais estudo em fadiga e cognição.
Panax quinquefolius, o ginseng americano, é aparentado (do mesmo gênero Panax), mas com perfil de ginsenosídeos diferente. Uma revisão recente reuniu estudos sobre seus efeitos na função neurocognitiva, mas não é a espécie usada nos produtos da SetYou [B].
Eleutherococcus senticosus, vendido como "ginseng siberiano", nem pertence ao gênero Panax. É outra planta, da mesma família botânica (Araliaceae), estudada como adaptógeno, mas sem os ginsenosídeos que caracterizam o Panax [A].
O efeito de qualquer suplemento de ginseng depende também do quanto o extrato é padronizado em ginsenosídeos, o composto ativo mais estudado. Extratos sem padronização variam de lote a lote, o que ajuda a explicar por que nem todo estudo com "ginseng" chega ao mesmo resultado [C].
Perguntas frequentes
Ginseng coreano, americano e siberiano são a mesma coisa?
Não. São três plantas diferentes. O coreano (Panax ginseng) é o mais estudado e o usado na SetYou. O americano (Panax quinquefolius) é aparentado, mas com perfil químico próprio. O siberiano (Eleutherococcus senticosus) nem é do gênero Panax, apesar do nome popular.
Ginseng dá energia de verdade?
É o efeito com evidência mais consistente. Uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos mostrou redução da fadiga com o uso de ginseng, inclusive em fadiga associada a doença.
Quem toma anticoagulante pode usar ginseng?
Não é recomendado sem acompanhamento médico. Um estudo clínico mostrou que o ginseng reduziu o efeito da varfarina, diminuindo o INR e o efeito anticoagulante.
Dá para tomar ginseng com café ou pré-treino?
Com cautela. Os dois têm efeito estimulante, e a soma pode causar insônia e nervosismo além do esperado.
Ginseng melhora memória e concentração?
Estudos clínicos, incluindo com pessoas com comprometimento cognitivo leve, mostraram melhora em testes de memória, atenção e função cognitiva após o uso de Panax ginseng.
Diabético pode tomar ginseng?
Só com acompanhamento médico. O ginseng reduz a glicemia, e essa redução pode somar com insulina ou outros antidiabéticos e causar hipoglicemia.
Referências desta seção
A Eleutherococcus senticosus (Acanthopanax senticosus): An Important Adaptogenic Plant
B Effects of American ginseng (Panax quinquefolius) extract on human neurocognitive function: a review
Nutritional Neuroscience, 2026
C An application of the standardised reference extract quantification strategy in the quality control of ginseng infusions by liquid chromatography with mass spectrometric detection
D Ginseng and Ginseng Herbal Formulas for Symptomatic Management of Fatigue: A Systematic Review and Meta-Analysis
Journal of Integrative and Complementary Medicine, 2023
E The effect of ginseng (the genus panax) on glycemic control: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled clinical trials
F Brief communication: American ginseng reduces warfarin's effect in healthy patients: a randomized, controlled trial
Annals of Internal Medicine, 2004
G Interactions of ginseng with therapeutic drugs
Archives of Pharmacal Research, 2019
H Interaction of ginseng with phenelzine
Journal of Clinical Psychopharmacology, 1987
I The effect of ginseng (genus Panax) on blood pressure: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled clinical trials
Journal of Human Hypertension, 2016
J Supplementation of Plants with Immunomodulatory Properties during Pregnancy and Lactation: Maternal and Offspring Health Effects
K Estrogen-like activity of ginsenoside Rg1 derived from Panax notoginseng
Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2002
L Herbal medicines and perioperative care
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Este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Suplementos alimentares não tratam, não curam e não previnem doenças.