Melatonina
A melatonina é um hormônio que o cérebro libera quando escurece, funcionando como aviso de horário para o relógio biológico. A evidência mais forte está em ressincronizar esse relógio, como em jet lag e trabalho por turno, com efeito mais modesto quando o uso é para dormir mais rápido numa insônia comum. Tomar no horário certo, e na dose certa, importa tanto quanto o próprio hormônio.
Suplemento não trata, não cura e não previne doença. O que segue é o que a evidência disponível mostra, com as devidas ressalvas.
Revisão técnica: Danielle Lima, Farmacêutica Clínica (CRF-102017). Atualizado em 15 de julho de 2026.
Melatonina
A melatonina é um hormônio produzido pelo próprio organismo e apresenta diversas funções, em destaque para a regulação do ciclo diurno e noturno, também conhecido como ritmo circadiano. Além disso, a organização circadiana de outras funções fisiológicas também depende do sinal da melatonina, por exemplo, imunidade, defesas antioxidantes, hemostasia e regulação da glicose.
Ela é produzida pela glândula pineal no cérebro a partir de estímulos do sistema nervoso central. Quando está escuro o organismo é estimulado a liberar melatonina a qual ativa a indução do sono. Algumas pessoas apresentam problemas na liberação do hormônio ou captação dele, podendo vivenciar sofrimentos significantes em relação ao sono, como insônia e outros distúrbios.
Nesse sentido, a suplementação de melatonina apresenta potencial efeito na melhora da qualidade do sono, indução do sono e sensação de sono reparador.
Referências:
1 Melatonin: Physiological effects in humans.
CLAUSTRAT, B. ; LESTON, J
KURDI, MadhuriS ; MUTHUKALAI, SindhuPriya, 2016
CLAUSTRAT, B. ; LESTON, J
LEMOINE, Patrick; NIR, Tali; LAUDON, Moshe; et al, 2007
Estudos sobre melatonina
Sono
Um estudo clínico realizado com 170 pacientes ambulatoriais com insônia primária com idade superior a 55 anos avaliou os efeitos da suplementação de 2 mg melatonina durante 3 semanas na melhora da qualidade e indução do sono na amostra. Como resultado, o estudo relatou que a suplementação apresenta um efeito benéfico do tratamento na qualidade do sono e o estado de alerta matinal, sugerindo sono mais restaurador e sem sintomas de abstinência após a descontinuação.
Em uma metanálise, 7 estudos com 387 participantes foram analisados, com o intuito de avaliar a eficácia e segurança da suplementação de melatonina no tratamento da insônia em crianças e adolescentes. O estudo concluiu que a suplementação de Melatonina apresentou efeitos na redução do tempo do início do sono e aumentou a duração do sono, relatando que a melatonina foi eficaz e tolerável no tratamento de curto prazo da insônia do início do sono em crianças e adolescentes.
Já em um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, 51 indivíduos receberam a suplementação de 3 mg de melatonina por quatro semanas. No final do estudo, a suplementação de melatonina se mostrou eficaz e segura para melhorar alguns aspectos da qualidade objetiva do sono, como tempo total de sono, porcentagem de movimentos rápidos dos olhos e tempo de despertar matinal em pacientes de meia-idade com insônia.
Por fim, em uma outra meta-análise de dados de ensaios clínicos randomizados envolvendo indivíduos com distúrbio do sono, que comparou a melatonina com o placebo e relatou 1 ou mais obteve os seguintes resultados: os 5 estudos incluindo 91 adultos e 4 estudos incluindo 226 crianças mostraram que o tratamento com melatonina foi capaz de adiantar a liberação de melatonina endógena em 1,18 horas e a hora do sono. Além disso, a suplementação de melatonina aumentou o tempo de duração do sono comprovando possível eficácia no avanço do ritmo sono-vigília e no ritmo da melatonina endógena no distúrbio da fase de sono.
Referências:
WEI, Sha; SMITS, Marcel G.; TANG, Xiangdong; et al, 2020
XU, Huajun; ZHANG, Chujun; QIAN, Yingjun; et al., 2020
2 The Use of Exogenous Melatonin in Delayed Sleep Phase Disorder: A Meta-analysis.
VAN GEIJLSWIJK, Ingeborg M.; KORZILIUS, Hubert P. L. M. ; SMITS, Marcel G., 2010
O paradoxo do sono no Brasil
Entre as quase 700 mil pessoas que já responderam o questionário de saúde da SetYou, 74,7% dormem menos de 7 horas por noite, mas apenas 7,9% pedem ajuda com sono no que preenchem. A maioria pede energia (dado auditado, publicado em setyou.com.br/pages/imprensa). O padrão sugere que boa parte de quem busca suplementação sente o cansaço, mas não associa ele à privação de sono, e é exatamente aí que a confusão sobre a melatonina mais atrapalha: sem entender que ela sinaliza horário e não sedação, a pessoa toma no momento errado ou espera um efeito que o hormônio não tem.
Sinalizador de escuro, não indutor de sono
"Hormônio do sono" é o apelido popular, mas o nome tecnicamente mais preciso é sinalizador do relógio biológico. A produção pela glândula pineal segue o ciclo claro-escuro e avisa o corpo que a noite chegou, deslocando a fase do relógio circadiano em vez de sedar o cérebro na hora [A]. Um estudo com pessoas totalmente cegas mostrou que doses fisiológicas, entre 0,3 mg e 0,5 mg, já bastam para sincronizar um ritmo circadiano que, sem tratamento, ficaria cada vez mais atrasado, o que reforça que o efeito depende de quando a dose chega em relação ao próprio relógio da pessoa, não só de quanto se toma [B].
O mesmo padrão aparece nos estudos sobre indução do sono. Um ensaio clássico comparou 0,3 mg com 1 mg de melatonina tomados à noite: as duas doses reduziram igualmente o tempo para pegar no sono, sem diferença de sonolência residual na manhã seguinte entre elas [C]. Doses na faixa de miligramas mais altos, as que a maioria dos produtos do mercado vende (3 mg, 5 mg, 10 mg), ultrapassam a saturação dos receptores MT1 e MT2 e servem outro propósito, ligado a ação antioxidante em contexto clínico específico, não ao ajuste fino do relógio biológico [D]. No Brasil, a Anvisa autorizou a melatonina como suplemento alimentar em outubro de 2021, com limite de consumo diário de 0,21 mg, exclusivo para maiores de 19 anos e sem nenhuma alegação de benefício aprovada [E]. É por isso que a SetYou vende a versão de 0,21 mg: a dose segue o teto regulatório pensado para suplemento de uso contínuo, não a lógica de medicamento em dose alta pontual.
Jet lag, turno de trabalho e insônia: onde a evidência pesa mais
A evidência mais forte para melatonina aparece em ressincronizar o relógio biológico depois que ele saiu do lugar, casos de jet lag e trabalho por turno. Uma revisão Cochrane com 10 ensaios em viajantes encontrou que a melatonina, tomada perto do horário de dormir do destino, reduz o jet lag em quem cruza cinco ou mais fusos horários, com número necessário para tratar de 2 (a cada duas pessoas tratadas, uma tem benefício claro) [F]. A mesma revisão é honesta sobre o oposto: tomada cedo demais no dia, a melatonina pode causar sonolência e atrasar a adaptação ao novo fuso em vez de ajudar [F]. Para quem trabalha em turno noturno ou alternado, o raciocínio de ressincronização é semelhante, ainda que a literatura clínica específica de turno seja menos robusta que a de jet lag [G].
Para insônia comum, sem relação com fuso ou turno, o efeito existe mas é modesto. Uma metanálise com 19 ensaios e 1683 participantes encontrou redução média de 7 minutos no tempo para pegar no sono e aumento de 8 minutos no tempo total de sono [H]. Ressalva honesta: é um efeito real, mas pequeno, bem menor do que o de um hipnótico prescrito. A vantagem da melatonina nesse cenário é o perfil de efeitos colaterais mais brando, não a potência.
Horário. A melatonina costuma funcionar melhor tomada de 30 a 60 minutos antes da hora que a pessoa quer dormir, não em cima da hora. E o mesmo estímulo que ela imita, a ausência de luz, pode ser desfeito por luz artificial depois: um estudo controlado mostrou que a exposição à luz de ambiente nas horas antes de dormir suprime o início da liberação de melatonina em 99% das pessoas e encurta sua duração em cerca de 90 minutos [I]. Tela e luz forte depois de tomar o suplemento competem com o sinal que ele está tentando dar.
Contraindicações e interações
Fluvoxamina. É o exemplo mais claro de interação por dose. A fluvoxamina inibe a enzima CYP1A2, principal via de eliminação da melatonina, e um estudo controlado mediu aumento de 17 vezes na exposição total ao hormônio e de 12 vezes no pico de concentração no sangue quando as duas substâncias foram tomadas juntas [J]. Quem usa fluvoxamina não deve somar melatonina sem orientação médica.
Anticoncepcional. Pílulas combinadas com etinilestradiol inibem a mesma enzima CYP1A2 usada pela fluvoxamina, entre outras vias [K], e uma revisão sistemática sobre a farmacocinética da melatonina lista o anticoncepcional oral entre os fatores que alteram os níveis do hormônio no sangue [L]. O efeito é menor do que o da fluvoxamina, mas quem usa os dois juntos pode sentir mais sonolência do que esperava com a mesma dose.
Anticoagulantes. A revisão Cochrane sobre jet lag registra relatos de caso de pessoas em uso de varfarina que tiveram problema ao tomar melatonina [F], e um estudo de laboratório mostrou que a melatonina em concentração alta eleva o cálcio dentro das plaquetas, via que participa da coagulação [M]. Quem usa anticoagulante precisa avisar o médico antes de somar melatonina.
Imunossupressores. A melatonina estimula parte do sistema imune, aumentando a produção de células de defesa e de citocinas [N], o oposto do que a imunossupressão busca. Uma revisão sobre tacrolimo, um dos imunossupressores mais usados em transplante, classifica a combinação com melatonina como "altamente controversa" e recomenda que o paciente sempre informe o uso ao médico responsável [O]. Quem faz uso de imunossupressor não deve tomar melatonina sem essa conversa.
Anticonvulsivantes. A mesma revisão Cochrane de jet lag cita relatos de caso de piora em pessoas com epilepsia que usaram melatonina [F]. A literatura mais recente é mista, com estudos pré-clínicos sugerindo efeito protetor e estudos em humanos ainda pequenos e sem conclusão fechada [P]. Diante da divergência, quem tem epilepsia ou usa anticonvulsivante só deve tomar melatonina com acompanhamento do neurologista.
Diabetes. Melatonina não é neutra para o metabolismo da glicose. Uma metanálise encontrou redução da resistência à insulina e dos níveis de insulina em jejum com a suplementação [Q], e uma revisão mais recente, de 2026, confirmou melhora em marcadores de resistência à insulina, embora sem alterar a glicose de jejum [R]. Quem tem diabetes ou usa medicação para controlar glicemia deve monitorar mais de perto ao começar a usar melatonina, porque o efeito existe e pode somar ao do tratamento em curso.
Gestação e lactação. A Anvisa exige que suplementos com melatonina tragam a advertência de que não devem ser consumidos por gestantes e lactantes [E]. A literatura em humanos é mais tranquilizadora do que a advertência sugere, mas ainda pequena, com poucos ensaios controlados [S], e outra revisão de segurança recomenda evitar o uso nessa fase justamente pela falta de estudos maiores [T]. Sem estudo suficiente para garantir segurança, a orientação da SetYou segue a cautela da Anvisa.
Dirigir depois de tomar. A própria autorização da Anvisa exige aviso de que o suplemento não deve ser consumido por quem vai exercer atividade que exija atenção constante [E], e sonolência e tontura estão entre os efeitos relatados com mais frequência nos estudos de segurança [T]. Não dirija nem opere máquinas nas horas seguintes a tomar melatonina.
Doença autoimune. Pelo mesmo motivo dos imunossupressores, a melatonina modula a resposta imune, e o efeito em doenças autoimunes ainda divide a literatura: um lado sugere papel anti-inflamatório benéfico, outro mostra que ela pode aumentar a atividade inflamatória em quadros como artrite reumatoide [U], com clínicos reumatologistas recomendando ponderar caso a caso antes de indicar [V]. Quem tem doença autoimune deve conversar com o médico antes de suplementar.
Na SetYou essa checagem é automática: o motor avalia condições de saúde declaradas, medicamentos em uso, gestação e alergias antes de qualquer recomendação. É por isso que conseguimos dizer não quando a Melatonina não é indicada.
Perguntas frequentes
Melatonina é sonífero, dá para tomar quando quiser?
Não. Ela é um sinalizador de horário para o relógio biológico, não um sedativo. Tomada no horário errado, pode até atrapalhar em vez de ajudar. O efeito melhor aparece quando é tomada de 30 a 60 minutos antes da hora que a pessoa quer dormir, de forma consistente.
Por que a SetYou usa 0,21 mg se a maioria vende 3 mg ou mais?
Porque os estudos mostram que dose baixa (0,3 mg) funciona tão bem quanto dose alta (1 mg) para induzir o sono, e doses fisiológicas menores já bastam para ressincronizar o relógio biológico. A Anvisa autorizou a melatonina como suplemento alimentar no Brasil com teto de 0,21 mg por dia, e é esse limite regulatório que a SetYou segue.
Melatonina funciona para insônia?
Funciona, mas com efeito modesto: uma metanálise mostrou redução média de 7 minutos no tempo para pegar no sono. É um resultado real e consistente, porém menor do que o de um hipnótico prescrito. A evidência mais forte da melatonina está em jet lag e ressincronização do relógio biológico, não na insônia em si.
Posso tomar melatonina se uso anticoncepcional ou outro remédio?
Depende do remédio. Fluvoxamina, anticoagulante, imunossupressor e anticonvulsivante têm interação documentada com melatonina, e o anticoncepcional pode potencializar levemente o efeito. Se você usa qualquer medicação contínua, vale conversar com o médico antes de somar melatonina.
Melatonina engorda ou afeta a glicemia?
Não há evidência de que engorde. Sobre glicemia, estudos mostram melhora em marcadores de resistência à insulina, sem alterar a glicose de jejum. Quem tem diabetes ou usa medicação para controlar açúcar no sangue deve monitorar mais de perto ao começar a suplementação.
Grávida ou amamentando pode tomar melatonina?
A Anvisa exige advertência contra o uso nessa fase, e a SetYou segue essa orientação. Os estudos em humanos existentes são tranquilizadores mas ainda pequenos, e outras revisões de segurança recomendam esperar mais dados antes de indicar. Não é indicado sem orientação médica direta.
Referências desta seção
A Melatonin as a Chronobiotic with Sleep-promoting Properties
Current Neuropharmacology, 2023
B Melatonin entrains free-running blind people according to a physiological dose-response curve
Chronobiology International, 2005
C Sleep-inducing effects of low doses of melatonin ingested in the evening
Clinical Pharmacology & Therapeutics, 1995
D Divergent Importance of Chronobiological Considerations in High- and Low-dose Melatonin Therapies
E Anvisa autoriza a melatonina na forma de suplemento alimentar
Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2021
F Melatonin for the prevention and treatment of jet lag
Cochrane Database of Systematic Reviews, 2002
G Treatment of Circadian Rhythm Sleep-Wake Disorders
Current Neuropharmacology, 2022
H Meta-analysis: melatonin for the treatment of primary sleep disorders
I Exposure to room light before bedtime suppresses melatonin onset and shortens melatonin duration in humans
Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2011
J Increased bioavailability of oral melatonin after fluvoxamine coadministration
Clinical Pharmacology & Therapeutics, 2000
K Drug Interactions Involving 17α-Ethinylestradiol: Considerations Beyond Cytochrome P450 3A Induction and Inhibition
Clinical Pharmacology & Therapeutics, 2022
L Clinical pharmacokinetics of melatonin: a systematic review
European Journal of Clinical Pharmacology, 2015
M Melatonin elevates intracellular free calcium in human platelets by inositol 1,4,5-trisphosphate independent mechanism
N Melatonin and the immune system in aging
O Controversial Interactions of Tacrolimus with Dietary Supplements, Herbs and Food
P Melatonin and Epilepsy
Q Effects of Melatonin Supplementation on Insulin Levels and Insulin Resistance: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials
Hormone and Metabolic Research, 2021
R Melatonin supplementation improves insulin resistance markers but not fasting glucose: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials
Diabetes Research and Clinical Practice, 2026
S Melatonin use during pregnancy and lactation: A scoping review of human studies
Brazilian Journal of Psychiatry, 2022
T The Safety of Melatonin in Humans
Clinical Drug Investigation, 2016
U Reconsidering the Role of Melatonin in Rheumatoid Arthritis
International Journal of Molecular Sciences, 2020
V Potential role of melatonin in autoimmune diseases
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Este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Suplementos alimentares não tratam, não curam e não previnem doenças.