Rhodiola rosea
A Rhodiola rosea, ou raiz-de-ouro, é uma planta adaptogênica usada para reduzir fadiga física e mental ligada ao estresse. É indicada principalmente para quem enfrenta rotina de alta demanda mental, com evidência mais consistente em fadiga relacionada ao estresse e mais preliminar para humor e ansiedade.
Suplemento não trata, não cura e não previne doença. O que segue é o que a evidência mostra, com as devidas ressalvas.
Revisão técnica: Danielle Lima, Farmacêutica Clínica (CRF-102017). Atualizado em 15 de julho de 2026.
Rhodiola rosea
A Rhodiola rosea, também conhecida como raiz de ouro, é uma planta medicinal que cresce em regiões frias e montanhosas como Rússia, Mongólia e a região da Escandinávia. Ela é considerada um adaptogênico, isto é, plantas que auxiliam o organismo no combate do estresse físico, químico e biológico. Plantas adaptogênicas também são conhecidas por aumentar a energia, aumentar a resistência e o vigor mental.
Historicamente, a Rhodiola tem sido utilizada para estimular o sistema nervoso, diminuir a depressão, melhorar a performance laboral, eliminar a fadiga e prevenir enjoo em altitudes elevadas. Muitos de seus benefícios são atribuídos a seus compostos como as salidrosides (rhodiolosides), rosavinas e p-tirosol. A Rhodiola contem potente ação antioxidante e anticancerígena devido à presença de diversos compostos fenólicos.
Existem diversos estudos sobre os efeitos da Rhodiola principalmente no aumento do foco, energia mental, redução da fadiga e sintomas relacionados ao estresse e ansiedade. Além disso, a Rhodiola é tida como amplamente segura, não apresentando resultados adversos significativos em nenhum dos estudos mencionados.
Estudos sobre a Rhodiola rosea
Energia e Saúde Cognitiva
No ano de 2000, um estudo duplo-cego e controlado por placebo analisou, por duas semanas, o impacto da Rhodiola na fadiga mental de 56 médicos saudáveis durante plantões noturnos. Os efeitos da Rhodiola foram medidos em testes envolvendo complexas funções de percepção e cognição como associação de pensamento, memória de curto prazo, cálculo, capacidade de concentração e velocidade de percepção visual. Em todos os testes, o grupo submetido ao uso de Rhodiola apresentou melhora estatisticamente significativa. O estudo sugere que a Rhodiola pode reduzir a fadiga mental em situações de estresse.
Ainda no ano de 2000, outro estudo, duplo-cego e controlado por placebo, submeteu estudantes de intercâmbio ao uso de Rhodiola por 20 dias. O grupo tratado com a planta apresentou melhora na fadiga mental e neuromotora de forma significativa quando comparado ao grupo placebo.
Em 2003, um estudo duplo-cego, controlado por placebo, analisou o impacto da Rhodiola em uma população uniforme de 161 cadetes entre 19 e 21 anos. O uso da Rhodiola resultou em um pronunciado efeito anti-fadiga com alta significância estatística quando comparado ao grupo placebo.
Em 2009, um estudo duplo-cego, controlado com placebo, submeteu 60 indivíduos, entre 20 e 55 anos, ao uso de Rhodiola por 28 dias. Nenhum efeito colateral significativo foi reportado. Além disso, melhoras significativas foram observadas com relação a fadiga, saúde mental, atenção, além de redução nos níveis de cortisol. O estudo conclui pelos efeitos positivos da Rhodiola no tratamento da fadiga, aumento da capacidade mental, particularmente na abilidade de concentrar, e na redução de cortisol em pacientes com fadiga e estresse elevados.
Em 2010, um artigo de revisão analisou a literatura sobre a Rhodiola no que tange sua composição química, atividade farmacológica e uso oficial na medicina. O artigo conclui que a Rhodiola Rosea possui evidências tradicionais e farmacológicas robustas no seu uso para fadiga, e evidências em ascendência que suportam o benefício para cognição (principalmente habilidade de concentrar), ansiedade e humor.
Em 2017, em dois estudos não controlados, com 218 indivíduos com sintomas prolongados de fadiga, o uso de Rhodiola resultou em redução clara dos sintomas de fadiga já a partir da primeira semana com contínuo declínio após. Além disso, nenhum dos estudos relatou efeito colateral adverso.
Em 2018, um estudo controlado e duplo-cego, analisou o impacto do uso da Rhodiola por 4 semanas em 26 alunos do sexo masculino. O uso de Rhodiola resultou em melhor performance mental (mais acertos) e menor tempo de reação. Não foi observada melhora na performance física nem redução nos níveis de cortisol. Em 2020, um estudo de 12 semanas com 50 adultos também concluiu pelos benefícios da Rhodiola na velocidade de raciocínio e melhor performance mental.
Referências:
1 Rhodiola Rosea in Stress Induced Fatigue - A Double Blind Cross-Over Study of a Standardized Extract SHR-5 With a Repeated Low-Dose Regimen on the Mental Performance of Healthy Physicians During Night Duty.
V Darbinyan , A Kteyan, A Panossian, E Gabrielian, G Wikman, H Wagner, 2000
2 A Double-Blind, Placebo-Controlled Pilot Study of the Stimulating and Adaptogenic Effect of Rhodiola Rosea SHR-5 Extract on the Fatigue of Students Caused by Stress During an Examination Period With a Repeated Low-Dose Regimen.
A A Spasov , G K Wikman, V B Mandrikov, I A Mironova, V V Neumoin, 2000
3 A Randomized Trial of Two Different Doses of a SHR-5 Rhodiola Rosea Extract Versus Placebo and Control of Capacity for Mental Work.
4 Rhodiola rosea: A Versatile Adaptogen.
Farhath Khanum, Amarinder Singh Bawa, and Brahm Singh, 2005
5 A Randomised, Double-Blind, Placebo-Controlled, Parallel-Group Study of the Standardised Extract shr-5 of the Roots of Rhodiola Rosea in the Treatment of Subjects With Stress-Related Fatigue
Erik M Olsson , Bo von Schéele, Alexander G Panossian, 2009
6 Rosenroot (Rhodiola Rosea): Traditional Use, Chemical Composition, Pharmacology and Clinical Efficacy.
A Panossian , G Wikman, J Sarris, 2010
7 Rhodiola Rosea in Subjects With Prolonged or Chronic Fatigue Symptoms: Results of an Open-Label Clinical Trial.
Yevgeniya Lekomtseva, Irina Zhukova, Anna Wacker, 2017
7 Multicenter, open-label, exploratory clinical trial with Rhodiola rosea extract in patients suffering from burnout symptoms.
Stress e Ansiedade
Em 2007, um estudo controlado e duplo-cego, submeteu 89 participantes, de 18 a 70 anos de idade, ao uso de Rhodiola por 6 semanas. O tratamento resultou em melhora significativa de sintomas de depressão (medidos pela escala Hamilton e Beck), de insônia, de estabilidade emocional e de somatização (mas não de auto estima). A mesma melhora não ocorreu no grupo placebo.
Em 2009, um estudo duplo-cego, controlado com placebo, submeteu 60 indivíduos, entre 20 e 55 anos, ao uso de Rhodiola por 28 dias. Nenhum efeito colateral significativo foi reportado. Além disso, melhoras significativas foram observadas com relação a fadiga, saúde mental, atenção, além de redução nos níveis de cortisol. O estudo conclui pelos efeitos positivos da Rhodiola no tratamento da fadiga, aumento da capacidade mental, particularmente na abilidade de concentrar, e na redução de cortisol em pacientes com fadiga e estresse elevados.
Em um estudo de 2009, ratos com estresse induzido foram tratados com Rholdiola durante 3 semanas. O uso de Rhodiola reverteu todas as mudanças mapeadas decorridas do estresse. O estudo conclui que o uso da Rhodiola resultou em potente inibição das mudanças comportamentais e psicológicas induzidas pela exposição ao estresse.
Em 2010, um artigo de revisão analisou a literatura sobre a Rhodiola no que tange sua composição química, atividade farmacológica e uso oficial na medicina. O artigo conclui que a Rhodiola Rosea possui evidências tradicionais e farmacológicas robustas no seu uso para fadiga, e evidências em ascendência que suportam o benefício para cognição (principalmente habilidade de concentrar), ansiedade e humor.
Em 2012, um estudo, não controlado, submeteu 101 indivíduos com sintomas de estresse ao uso de Rholdiola por 4 semanas. Em todos os testes a que foram submetidos, os indivíduos apresentaram relevante melhora no que tange aos sintomas do estresse, danos funcionais e efeito terapêutico. O tratamento foi bem tolerado e o estudo conclui que a Rhodiola é segura e efetiva na melhora dos sintomas do estresse com relevância clínica.
Em uma analise de 2018, os autores revisaram a literatura com o objetivo de encontrar estratégias clinicamente significativas para o tratamento dos sintomas do estresse e suas consequências, incluindo síndrome de burnout e outras doenças. A analise conclui que a Rhodiola preenche importantes requisitos, oferece tratamento compreensivo aos sintomas do estresse e pode prevenir complicações crônicas relacionadas ao estresse. A analise também menciona que a Rhodiola é o principal adaptogênico aprovado pelo Comitê de Produtos de Medicina Herbal Europeu (HMPC/EMA) para o tratamento do estresse.
Referências:
1 Rhodiola rosea: A Versatile Adaptogen.
Farhath Khanum, Amarinder Singh Bawa, and Brahm Singh, 2005
2 Clinical Trial of Rhodiola Rosea L. Extract SHR-5 in the Treatment of Mild to Moderate Depression.
V Darbinyan , G Aslanyan, E Amroyan, E Gabrielyan, C Malmström, A Panossian, 2007
3 Effects of Rhodiola Rosea L. Extract on Behavioural and Physiological Alterations Induced by Chronic Mild Stress in Female Rats.
L Mattioli , C Funari, M Perfumi, 2009
4 A Randomised, Double-Blind, Placebo-Controlled, Parallel-Group Study of the Standardised Extract shr-5 of the Roots of Rhodiola Rosea in the Treatment of Subjects With Stress-Related Fatigue
Erik M Olsson , Bo von Schéele, Alexander G Panossian, 2009
5 Rosenroot (Rhodiola Rosea): Traditional Use, Chemical Composition, Pharmacology and Clinical Efficacy.
A Panossian , G Wikman, J Sarris, 2010
6 Therapeutic Effects and Safety of Rhodiola Rosea Extract WS® 1375 in Subjects With Life-Stress Symptoms--Results of an Open-Label Study.
D Edwards , A Heufelder, A Zimmermann, 2012
7 Stress Management and the Role of Rhodiola rosea: A Review.
Ion-George Anghelescu , David Edwards , Erich Seifritz , Siegfried Kasper, 2018
Humor
Em 2007, um estudo controlado e duplo-cego, submeteu 89 participantes, de 18 a 70 anos de idade, ao uso de Rhodiola por 6 semanas. O tratamento resultou em melhora significativa de sintomas de depressão (medidos pela escala Hamilton e Beck), de insônia, de estabilidade emocional e de somatização (mas não de auto estima). A mesma melhora não ocorreu no grupo placebo.
Em 2010, um artigo de revisão analisou a literatura sobre a Rhodiola no que tange sua composição química, atividade farmacológica e uso oficial na medicina. O artigo conclui que a Rhodiola Rosea possui evidências tradicionais e farmacológicas robustas no seu uso para fadiga, e evidências em ascendência que suportam o benefício para cognição (principalmente habilidade de concentrar), ansiedade e humor.
Em 2015, um estudo controlado comparou o efeito da Rhodiola versus a Sertralina, um antidepressivo (Zoloft), em 57 indivíduos com sintomas de depressão de leve a moderado. Os resultados foram observados nos testes de Hamilton, BDI e CGI/C. Não houve diferença significativa entre os grupos, porém houve melhora nos resultados em ambos os grupos versus o grupo placebo. O estudo conclui que a Rhodiola foi melhor tolerada e pode ser mais favorável no trato de indivíduos com sintomas leves a moderados de depressão.
Um compilado de 2016 analisou nove estudos clínicos, envolvendo 860 indivíduos, controlados e não controlados, sobre as propriedades da Rhodiola no trato de sintomas da depressão e estresse. A analise conclui que a Rhodiola apresenta diversos efeitos na regulação celular em resposta ao estresse, afetando diversos componentes das redes neuroendócrinas e neurotransmissoras associadas a efeitos benéficos no humor.
Referências:
1 Clinical Trial of Rhodiola Rosea L. Extract SHR-5 in the Treatment of Mild to Moderate Depression.
V Darbinyan , G Aslanyan, E Amroyan, E Gabrielyan, C Malmström, A Panossian, 2007
2 Rosenroot (Rhodiola Rosea): Traditional Use, Chemical Composition, Pharmacology and Clinical Efficacy.
A Panossian , G Wikman, J Sarris, 2010
3 Rhodiola rosea versus sertraline for major depressive disorder: A randomized placebo-controlled trial.
Jun J. Mao, Sharon X. Xieb, Jarcy Zeeb, Irene Soeller, Qing S.Li, Kenneth Rockwell, Jay D. Amsterda
4 Rhodiola Rosea L. As a Putative Botanical Antidepressant.
Contraindicações e interações
Transtorno bipolar. A Rhodiola tem efeito estimulante e ação antidepressiva, e existe relato publicado de virada maníaca associada ao seu uso [A]. Quem tem transtorno bipolar ou histórico de mania não deve usar sem avaliação do psiquiatra.
Antidepressivos e ISRS. A Rhodiola inibe a enzima monoamina oxidase e age sobre a distribuição de serotonina e dopamina, o que pode somar efeito com antidepressivos. Há caso clínico publicado de interação com antidepressivo, com inquietação e tremor [B] [C]. Quem usa antidepressivo, principalmente ISRS ou IMAO, só deve associar Rhodiola com orientação médica.
Estimulantes. A Rhodiola tem efeito estimulante próprio e interfere na CYP1A2, a mesma enzima que metaboliza a cafeína, segundo estudo em humanos [D]. Associar com cafeína, pré-treino ou outros estimulantes pode aumentar insônia, ansiedade e palpitação.
Anticoagulantes e cirurgia. Estudo in vitro mostra que a Rhodiola inibe a CYP3A4 e a glicoproteína-P, vias usadas por diversos medicamentos, incluindo alguns anticoagulantes [E]. Por precaução, quem usa anticoagulante ou vai passar por cirurgia deve suspender o uso e avisar a equipe médica com antecedência.
Gestação e lactação. Não há dados de segurança suficientes em humanos gestantes ou lactantes. Os estudos clínicos disponíveis excluem essa população, então o uso não é recomendado nessa fase.
Na SetYou essa checagem é automática: o motor avalia condições de saúde declaradas, medicamentos em uso, gestação e alergias antes de qualquer recomendação. É por isso que conseguimos dizer não quando Rhodiola não é indicada.
Perguntas frequentes
Para que serve a Rhodiola rosea?
É usada principalmente para reduzir a fadiga mental e física ligada ao estresse, e para apoiar foco e desempenho cognitivo em rotinas de alta demanda. A evidência mais consistente é para fadiga relacionada ao estresse, não para tratar doenças.
Rhodiola dá insônia?
Pode. Ela tem efeito estimulante, por isso costuma ser usada pela manhã. Tomar à noite ou associar com cafeína aumenta a chance de insônia.
Posso tomar Rhodiola com antidepressivo?
Não sem orientação médica. A Rhodiola age sobre serotonina e dopamina e existe relato de interação com antidepressivos. Este é o ponto de atenção mais importante do ativo.
Rhodiola rosea emagrece?
Não há evidência de que a Rhodiola cause emagrecimento direto. O que os estudos mostram é melhora de energia e redução da fadiga, o que pode facilitar a rotina de treino, mas isso não é emagrecimento.
Quanto tempo demora para fazer efeito?
Os estudos observam melhora de fadiga já na primeira semana em alguns casos, com efeito mais consistente entre 2 e 4 semanas de uso contínuo.
Rhodiola pode ser usada por quem tem ansiedade?
Alguns estudos mostram melhora em sintomas de estresse e ansiedade leve, mas por ter efeito estimulante pode piorar quadros de ansiedade mais intensos em algumas pessoas. Quem tem transtorno de ansiedade diagnosticado deve usar com acompanhamento.
Referências desta seção
A Mania Associated With Rhodiola Rosea: An Adaptogen With Antidepressant Effects.
Primary Care Companion for CNS Disorders, 2022
B The interaction of Rhodiola rosea and antidepressants. A case report.
C Monoamine oxidase inhibition by Rhodiola rosea L. roots.
Journal of Ethnopharmacology, 2009
D Effect of commercial Rhodiola rosea on CYP enzyme activity in humans.
European Journal of Clinical Pharmacology, 2016
E Potent in vitro inhibition of CYP3A4 and P-glycoprotein by Rhodiola rosea.
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